
- Nós somos o que somos... ou somos o que os outros pensam que nós somos?
- Não percebo. Somos o que somos... óbvio.
- Ok, mas o que quero dizer é: Eu sou a pessoa que acredito ser? Ou sou apenas uma junção do que todos os outros pensam de mim? Sou um ser social... certo?
- Certo.
- Como ser social tenho pessoas à minha volta que provavelmente sabem-me avaliar melhor que ninguém porque me veêm "de fora". Eu vivo comigo todos os dias, logo devo-me conhecer como mais ninguém conhece. Sei todas as todas as minhas fraquezas e forças, defeitos e virtudes, sei de tudo o que fiz e não fiz. Mas tenho sempre a minha perspectiva de dentro... logo, enviesada.
- Está tudo certo... mas não percebo onde queres chegar.
- Se te dissesse que eras um assassino. Que fazias?
- Dizia que estavas louca.
- Mas eu insistia e todos acreditavam que eras um assassino. Consegues provar que nunca mataste ninguém?
- Mas eu nunca matei ninguém!
- Compreendo... mas consegues prová-lo.
- Acho que não.
- Na semana passada andas-te esquisito, e aquela miúda que era da nossa escola apareceu morta. Tu nunca gostaste dela, ela sempre gozou contigo. A última vez que ela foi vista vida foi perto do café onde costumas ir, e apareceu morta perto do jardim da tua casa... tiro de caçadeira. Tu tens uma caçadeira em casa, não tens?
- Tenho, mas...
- Tu naquela noite não foste sair conosco como é costume. Tu mataste-a... todos já sabem.
- Estás maluca... só pode.
- Estou? E se todos acreditassem? Talvez até tu ias ficar a sentir-te culpado de algo que não fizeste... acabavas por te tornar aos teus próprios olhos... um assassino.
- Mas acabaste de me dar razão... "algo que não Fiz". Eu sei o que faço... Podem-me roubar tudo mas não a minha identidade... quem eu sou. Eu sou o que sou! Sei quem sou... e não é o facto de dizeres que sou um assassino que me faz um. Então e tu? Se te dissessem que eu tinha feito alguma coisa desse estilo. Que fazias?
- Eu? Ria-me à gargalhada... anda mas é que já estamos atrasados para apanhar o autocarro.