Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Tempo

Falta de tempo... tempo para mim, para sair, para os amigos... falta de tempo para te amar. Sinto falta de tempo para tudo. Porque não podemos nós dormir apenas duas horas e estar bem?... e eu que gostava tanto de dormir... sim, gostava, porque agora as noites são passadas a 5/6 horas de sono. Ou então que os dias tivessem 32 horas. Vejo-me a regatear tempo como o moribundo que regateia mais uns dias de vida. Vejo-me a regatear tempo comigo mesma, para ti... para mostrar um milésimo do que te amo. Porque sinto que não te mostro o suficiente...
Quero que o tempo ande ao meu jeito... depressa e devagar quando quero. Quero que o tempo pare de vez em quando... quando nos beijamos e durmo nos teus braços. Quero o que toda a gente quer, mas cada vez o quero com mais força. Queria que o tempo voasse agora... e mais logo se multiplicasse...

Segunda-feira, Junho 26, 2006

Citação académica

"A vantagem que temos nas pessoas que nunca mudam... é que um dia vão acabar por morrer"

Numa conferência na FPCE-UL, em 2005

Quinta-feira, Maio 25, 2006

A Psicologia do Amor

Tipos de Amor...

Eros
O amor do tipo eros é aquele amor romântico que uma pessoa sente por outra. É o amor que tem muito a ver com atração física. É esse tipo de amor que normalmente compele as pessoas a manter um relacionamento amoroso continuado. Nesse sentido também é sinônimo de relação sexual.

Pragma
Como diz o nome, é o estilo de que prioriza o lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de embarcar num romance. Se o namoro aparente tiver futuro, ele investe. Se não, desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitos para o parceiro ou a parceira ideal e pondera muito antes de se comprometer. Procura um bom pai ou uma boa mãe para os filhos e leva em conta o conforto material. Está sempre cheio de perguntas. O que será que a minha família vai achar? Se eu me casar, como estarei daqui a cinco anos?Como minha vida vai mudar se eu me casar? Amor interessado em fazer bem a si mesmo, Amor que espera algo em troca.

Ágape
Em grego, significa altruísmo, generosidade. A dedicação ao outro vem sempre antes do próprio interesse. Quem pratica esse estilo de amor entrega-se totalmente à relação e não se importa em abrir mão de certas vontades para a satisfação do ser amado. Investe constantemente no relacionamento, mesmo sem ser correspondido. Sente-se bem quando o outro demonstra alegria. No limite, é capaz até mesmo de renunciar ao parceiro se acreditar que ele pode ser mais feliz com outra pessoa.

Storge
É o nome da divindade grega da amizade. Por isso, quem tende a ter esse estilo de amor valoriza a confiança mútua, o entrosamento e os projetos compartilhados. O romance começa de maneira tão gradual que os parceiros nem sabem dizer quando exatamente. A atração física não é o principal. Os namorados-amigos não tendem a ter relacionamentos calorosos, mas sim tranquilos e afetuosos. Preferem cativar a seduzir. E, em geral, mantêm ligações bastante duradouras e estáveis. O que conta é a confiança mútua e os valores compartilhados. Os amantes do tipo storge revelam satisfação com a vida afetiva.

Quarta-feira, Maio 17, 2006

Coração aos tropeços

Andei perdida... mas consegui-me encontrar em ti... no teu sorriso doce, no cheiro delicioso e adocicado da tua pele, nas tuas palavras meigas… em todos os bocadinhos de ti que agora são meus... todos esses bocadinhos que eu amo… e que cada dia me vejo a amar mais… mesmo quando às vezes acho que sentir mais do que isto é impossível, descubro que não é. O coração que tinha cheio de um nada imenso que doía por todas as veias onde passava, porque esse nada era gelado, fétido e infértil… encheu-se de sangue quente, a fervilhar… por ti, por mim, por nós… Sinto-me mais eu, hoje, do que me senti durante o último par de anos, acabou-se o amor pela solidão, acabou-se o narcisismo e egoísmo de quem não quer partilhar-se com ninguém. A felicidade ao contrário do que queria acreditar não se encontra sozinha…
Amo-te…

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Vivó Axe... esperimenta e logo vez!

Espanta-me a ignobilidade e alguns jovens da minha geração que não conseguem escrever mais que uma frase sem dar calinadas na gramática... e pior ainda, na própria ortografia... Oh meus amigos!
Uns... aqueles que culpam sempre os outros pelos seus males, dizem que a culpa é do corrector ortográfico do Word, das mensagens de telemóvel, ou até do Messenger... outros apontam mais para a falta de valores. Para muito boa gente, saber o nome de todos os jogadores do Benfica, ver os Morangos com Açúcar e estar a par das últimas bocas e coscuvilhices é mais importante que ler um livro ou ter uma conversa construtiva que pode acrescentar algo de produtivo à sua vida.
Infelizmente, para muitos jovens que conheço a cultura é algo que anda debaixo do braço a servir de desodorizante que maravilha os narizes mais vulgares, mas que fede para aqueles que não baseiam a sua felicidade no carrinho quitado e o telemóvel de última geração.

Serviu-te a carapuça? ... Nunca é tarde demais para mudar...

Quinta-feira, Maio 04, 2006

Definição da Wikipedia

Amizade

Amizade é um relacionamento humano que envolve conhecimento mútuo, estima e afeição. Amigos sentem-se bem na companhia uns dos outros e possuem um sentimento de lealdade entre si, ao ponto de colocarem os interesses dos outros antes dos próprios interesses. Amigos possuem gostos similares, que podem convergir. Amizade resume-se em lealdade, confiança e amor. Amigos sao pessoas muito importantes na nossa vida, sendo irmaos ou mesmo se tornando irmaos, podemos contar, desabafar e confiar neles.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

Divagações de outrora

Merda de coração que teimas em doer sem que eu queira. Quem manda em ti? Não sou eu! Quem te manda apaixonar, quem te manda apertar tão forte sem aviso prévio quando o amor inoportuno te invade. Maldito coração que havias de morrer... ficar frio, mirrado, sem qualquer réstia de vida em ti. Porque não mando eu em ti, porque não posso eu ser só cérebro... e não sofrer.

"O sonho dos meus amigos é ter um GTI"

O sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa de que marca
de que cor
o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa se inglês ou japonês

eu ando pensativo
porque não tenho esse sonho
ando a pensar qual o motivo
porque não sonho com um GTI

os meus amigos riem-se de mim
por ser feliz assim sem sonhar com um GTI
eles não sonham que me basta ter-te a ti
a sonhar comigo desde que te conheci

o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa de que marca
de que cor
o sonho dos meus amigos
é ter um GTI
não importa se inglês ou japonês

desde que seja um GTI
desde que seja um GTI
p'ra que quero um GTI
se me basta ter-te a ti
eu não quero um GTI
deita fora o GTI
p'ra que quero o GTI
só me basta ter-te a ti

Clã

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

- Nós somos o que somos... ou somos o que os outros pensam que nós somos?
- Não percebo. Somos o que somos... óbvio.
- Ok, mas o que quero dizer é: Eu sou a pessoa que acredito ser? Ou sou apenas uma junção do que todos os outros pensam de mim? Sou um ser social... certo?
- Certo.
- Como ser social tenho pessoas à minha volta que provavelmente sabem-me avaliar melhor que ninguém porque me veêm "de fora". Eu vivo comigo todos os dias, logo devo-me conhecer como mais ninguém conhece. Sei todas as todas as minhas fraquezas e forças, defeitos e virtudes, sei de tudo o que fiz e não fiz. Mas tenho sempre a minha perspectiva de dentro... logo, enviesada.
- Está tudo certo... mas não percebo onde queres chegar.
- Se te dissesse que eras um assassino. Que fazias?
- Dizia que estavas louca.
- Mas eu insistia e todos acreditavam que eras um assassino. Consegues provar que nunca mataste ninguém?
- Mas eu nunca matei ninguém!
- Compreendo... mas consegues prová-lo.
- Acho que não.
- Na semana passada andas-te esquisito, e aquela miúda que era da nossa escola apareceu morta. Tu nunca gostaste dela, ela sempre gozou contigo. A última vez que ela foi vista vida foi perto do café onde costumas ir, e apareceu morta perto do jardim da tua casa... tiro de caçadeira. Tu tens uma caçadeira em casa, não tens?
- Tenho, mas...
- Tu naquela noite não foste sair conosco como é costume. Tu mataste-a... todos já sabem.
- Estás maluca... só pode.
- Estou? E se todos acreditassem? Talvez até tu ias ficar a sentir-te culpado de algo que não fizeste... acabavas por te tornar aos teus próprios olhos... um assassino.
- Mas acabaste de me dar razão... "algo que não Fiz". Eu sei o que faço... Podem-me roubar tudo mas não a minha identidade... quem eu sou. Eu sou o que sou! Sei quem sou... e não é o facto de dizeres que sou um assassino que me faz um. Então e tu? Se te dissessem que eu tinha feito alguma coisa desse estilo. Que fazias?
- Eu? Ria-me à gargalhada... anda mas é que já estamos atrasados para apanhar o autocarro.

Inspira... Expira. Que se passou? Não sei... estava a atravessar a estrada e de repente senti um aperto no peito avassalador, como se algo de terrível estivesse para acontecer. Estás a tremer! Olho para as mãos e estico os dedos... tremem como se tivesse 90 anos. Largo tudo no chão e corro para a casa de banho. Abro a torneira e com as mãos cheias de água esfrego o rosto... porque é que o meu coração não pára de bater assim? Olho à volta e algo está diferente mas não consigo perceber o quê. Tento lembrar-me de como eram as coisas antes mas não me consigo lembrar de nada. Passo mais uma vez as mãos pela água e esfrego a cara uma última vez, os dedos molhados atravessam o cabelo enquanto procuro o espelho. Quem és tu? A pele está pálida, os olhos baços... já não têm o mesmo castanho. Começo a tocar o meu corpo... está velho, magro. A roupa é estranha... eu nunca me vesti assim, porquê agora? O cabelo fraco assusta-me. Quem és tu? Largo o espelho que sempre me mentiu e vou para o quarto... doem-me as pernas. Sento-me à beira da cama e olho em volta. Reparo nos óculos em cima da cómoda, ponho-os e vejo todas as fotos espalhadas em cima da mobília. Como nunca reparei nelas? Estou a vê-las pela primeira vez e no entanto são-me tão familiares. Lembro-me das palavras que ainda ontem me ecoavam na cabeça "A vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos"...

Domingo, Janeiro 01, 2006

Bem versus Mal

Talvez me vá arrepender
Do que a seguir vou dizer
Não sei se vais gostar de ouvir
Mas já que estás a insistir
Perguntas porque razão
Há dias em os dias são
Como baloiços de Bem e Mal
De manhã tem-se o mundo aos pés
À noite cai-se do pedestal
Até a flor mais bem-aventurada
P'ra nascer mais perfumada
Se aduba no inverno cão
Para romper bela do chão
Porque o choro e o riso
Estão mais perto do que julgas
E há quem diga que é preciso
Comer o deserto às fatias
P'ra alcançar o paraíso
Porque o mal
Tem costas largas
E o bem
Tem pés de barro

(letra: Carlos Tê; Clã)

Domingo, Agosto 21, 2005

Vale da Telha


Passei o fim de semana passado em Vale da Telha... perto de Aljezur. Cada vez mais prefiro a calma da costa Vicentina à confusão do Algarve. Deixo uma foto da falésia que lá existe... mas ela não mostra nem de perto a beleza daquele lugar. Vera, Estevão, Gabi, André, Elina, Pato.... foi muitoooooo fixe :)

Quarta-feira, Julho 20, 2005

Inadaptado...

"Terei uma única ideia original na cabeça? Na careca cabeça? Talvez se fosse mais feliz o meu cabelo não caísse. A vida é curta, tenho de aproveitá-la ao máximo. Hoje é o primeiro diado resto da minha vida. Sou uma frase-feita ambulante... O médico vai mesmo ter de me observar a perna, há nela um caroço qualquer. O dentista voltou a ligar, já lá devia ter ido. Se não adiasse coisas seria feliz, mas passo a vida sentado. Se o meu rabo fosse mais magro era mais feliz, não tinha de usar as fraldas da camisa para fora. Como se enganasse alguém... Devias voltar ao jogging, bucha, correr uns quilómetros por dia. Correr a sério, desta vez. Ou fazer alpinismo. Tenho de mudar mesmo de vida. Mas como? Tenho de me apaixonar, de arranjar uma namorada. Tenho de ler mais, de me cultivar. E se aprendesse russo? Ou um instrumento? Podia aprender chinês, seria o guionista que fala chinês e toca oboé. Ia ser giro. Devia usar o cabelo curto e parar de fingir a mim e a todos que tenho montes de cabelo. É tão patético... Devo ser verdadeiro, confiante, não é isso que atrai as mulheres? Os homens não têm de ser bonitos. Hoje em dia isso não é verdade, agora há quase tanta pressão sobre nós como sobre elas. Por que sinto ter de pedir desculpas por existir? Talvez o meu problema seja a química errada no meu cérebro, todos os meus problemas e ânsias serem devidos a um desequilibrio químico ou dissociação de sinapses. Tenho de consultar um médico... Mas continuaria a ser feio, quanto a isso, nada a fazer".

Excerto retirado do filme "Inadaptado"

Terça-feira, Julho 12, 2005

De volta...

Desculpem a falta de lógica inerente a muitos dos textos que publiquei e volto a publicar aqui. Não... o que escrevo não é um retrato do que eu sou, não é uma transposição do que sinto ou penso. A grande maioria das vezes são apenas pensamentos soltos, sem nexo, sem lógica... pensamentos esses que muitas vezes são redigidos, apenas porque sabe bem escrever. Ou na maioria das vezes, e como está a acontecer agora, porque estou demasiado cansada e saturada da rotina do dia a dia e esqueço-me de colocar rédeas nos dedos e eles simplesmente deslizam pelas teclas. E aí este cantinho funciona como uma fuga, uma fuga às conversas banais de todos os dias, uma fuga às mesquinhices de todos nós, e na maioria das vezes uma simples fuga aos outros... porque aqui estou só, posso explorar as minhas próprias ideias, os meus atrofios, as minhas maluquices, sem regras, sem rédeas, sem os outros.

Sinto o corpo a cair...

Sinto o meu corpo a cair pesadamente no vazio do teu. A cabeça a pender para trás sem força e os olhos semi cerrados fixados no vazio marcaram para sempre o que viria a ser o resto da minha vida. Sinto o meu corpo a cair pesadamente no vazio do teu e não o consigo evitar. As lágrimas amargas e frias rolavam-me pelo rosto incessantemente enquanto te observava pela última vez naquela poltrona onde tantas vezes te havia visto a sorrir, a rir, a sentir... a sentir algo mais que o vazio que agora te corrói e corrompe por dentro sem que consigas fazer o que quer que seja. Sinto o meu corpo a cair pesadamente no vazio do teu...


Esta noite quero ser pássaro e voar sobre o mar, sentir o cheiro da água salgada, ver as estrelas de perto e beijar a lua.

Domingo, Janeiro 30, 2005

Até um dia...

Volto ao sítio habitual hoje para me despedir. Falta-me a motivação de outrora para aqui escrever, dou por mim a pensar no que escrevo, porque sei que outros me leêm, e não é isso que me move. Preciso de me desprender de mim quando escrevo, e começo a dar por mim a não fazê-lo... talvez um dia volte a escrever aqui... quando sentir que tenho algo a contar... algo a acrescentar que possa tocar alguém. Por enquanto fico-me pela escrita noutros cantinhos... anónimos... Obrigado a todos os que já passaram por aqui... poucos mas bons... obrigado pelos comentários que foram deixando... obrigado por tudo.

Quarta-feira, Dezembro 22, 2004

E se...

E se agarrassemos todos os "e se's" da vida e nunca nos arrependessemos de perder uma única oportunidade... e se arriscássemos sempre em tudo, e ousássemos sempre mais... e se ouvíssemos de vez em quando aquela angústia que sentimos dentro de nós... aquela voz que nos diz mais uma vez para mudar, para ousar, para arriscar... para deixar de ter medo de tudo e de todos... para deixar de pensar nas consequências de cada acto... para deixar de racionalizar e deixar-mo-nos levar de uma vez por todas pelos impulsos, por aquele instinto animalesco que por vezes nos invade com tal brutidade que sentimos uma força imensa a querer sair por todos os poros, e só nos apetece gritar. Um grito forte e medonho... um grito de uma liberdade tal que não é possível sequer imitá-lo. E gritar tão alto que sentimos o nosso corpo a voar... sentir a liberdade a entrar pelas narinas, pela garganta, por todos os poros do corpo... e sermos invadidos por uma sensação tão forte que as pernas começam a tremer, e o coração a bater mais forte... e deixarmo-nos levar...

Sexta-feira, Dezembro 17, 2004

Fuga...

Desculpem a falta de lógica inerente a muitos dos textos que publico aqui. Não... o que escrevo não é um retrato do que eu sou, não é uma transposição do que sinto ou penso. A grande maioria das vezes são apenas pensamentos soltos, sem nexo, sem lógica... pensamentos esses que muitas vezes são redigidos, apenas porque sabe bem escrever. Ou na maioria das vezes, e como está a acontecer agora, porque estou demasiado cansada e saturada da rotina do dia a dia e esqueço-me de colocar rédeas nos dedos e eles pura e simplesmente escrevem. E aí este cantinho funciona como uma fuga, uma fuga às conversas banais de todos os dias, uma fuga às mesquinhices de todos nós, e na maioria das vezes uma simples fuga aos outros... porque aqui estou só, posso explorar as minhas próprias ideias, os meus atrofios, as minhas maluquices, sem regras, sem rédeas, sem os outros.

Quarta-feira, Dezembro 15, 2004

Ausência...

Tenho andado afastada disto... não é por mal... apenas falta de tempo. Trabalho, faculdade, amigos... mas sabe bem. Finalmente estou a descobrir o que é ter um emprego... o que é ter de acordar obrigatoriamente sempre cedo, pois não posso faltar ao trabalho como falto às aulas. E finalmente sei como é importante sentir-mo-nos realizados com o trabalho que temos. Nunca pensei gostar tanto do que faço e das pessoas com quem trabalho... e nunca pensei ficar triste, como fico, em pensar que um dia vou ter de deixar o sítio onde estou... porque ao fim ao cabo estou a tirar um curso por algum motivo. Nunca imaginei que a simples decisão de arranjar um emprego temporário mudasse tantas coisas na minha vida como já mudou até agora... especialmente pelas pessoas que conheci... todas tão diferentes... e ao mesmo tempo tão especiais.

Quinta-feira, Dezembro 02, 2004

Concepções...

Às vezes questiono-me se o amor existe mesmo ou é uma idealização, tal como a religião, a concepção de Deus, uma mera concepção que construímos para que a nossa vida faça mais sentido, porque é da natureza do homem encontrar explicação para tudo, um sentido para tudo... para que todos os gestos, mesmo os mais inúteis, da nossa vida tenham um significado. E se é uma concepção que "nós Homens" criámos, também poderemos destruir? Passo a explicar, se a concepção de Amor pode ser algo comparável à concepção de Deus, será que nos podemos tornar ateus do amor... deixando assim de acreditar no amor belo que os livros falam e passar a acreditar na pura química física? Talvez... O que continuo sem perceber é porque é que estamos sempre à procura de um sentido para tudo... não é suposto que a vida não faça mesmo nenhum sentido?... Não peço que a minha faça sentido... apenas quero que seja vivida à minha maneira, e que seja uma vida feliz. Voltando ao amor... se calhar não é mesmo suposto que passemos uma vida inteira com uma mesma pessoa, se calhar é mesmo da nossa natureza não ficar muito tempo com alguém... não quero com isto dizer que não acredito no amor... nem que não quero ficar uma vida com a mesma pessoa... apenas, como toda a gente, penso em inutilidades (ou não) que nada acrescentam... mas como já disse o ser humano está sempre há procura de explicação para tudo...

Domingo, Novembro 14, 2004

Aproveitar da vida ao seu máximo... tantas vezes tenho falado disto. Muitas pessoas vivem por esta máxima, vivendo a vida no limite, arriscando sempre mais, a agarrar a vida "pelos cornos" e esquecendo os riscos inerentes a isto. Porque por vezes o preço é elevado, elevado demais. O que á mais compensador? Viver uma vida curta e cheia de experiências alucinantes e intensas, ou viver uma vida longa mas mais calma, sem arriscar tanto... não sei a resposta... talvez nunca a saberei... mas a verdade é que todos nós gostaríamos que estivesses agora aqui conosco... e já não estás. Descansa em paz...

Quinta-feira, Novembro 04, 2004

Inverno... again

Tenho andado completamente a leste deste canto... pura falta de tempo... Ai como era bom que os dias tivessem 36 horas... pelo menos. O Inverno teima em chegar aos pouquinhos... o cheiro a castanhas assadas no Terreiro do Paço, os casacos que teimam a querer sair do roupeiro, a chuva que nos surpreende nas piores alturas, as promoções e enfeites para o Natal que começam a espreitar em todas as lojas. E que bem que sabe estarmos de pijama e robe enrolados numa manta, deitados no sofá a ver um filme, com a lareira acesa, enquanto lá fora chove... e como é lindo o barulho da chuva a bater nos vidros da janela. E como sabe bem ficar na cama quente enquanto lá fora faz vento e frio... e como sabem bem os banhos de água quase a escaldar depois de virmos encharcados da rua porque nos esquecemos do chapéu de chuva... outra vez.Ok... sim... há o frio, andar em transportes a chover, poças de água que teimamos em pisar, as constipações, as gripes, o nariz ranhoso e vermelho, a garganta que doí, a roupa que não nos deixa mexer, o chapéu de chuva molhado que temos de arrastar para todo o lado, os pés gelados que não nos deixam adormecer, as consecutivas molhas que apanhamos... mas há que ver o lado positivo da coisa, não é? Mas estou confiante que com o efeito de estufa e a descongelação dos glaciares... mais cedo ou mais tarde vamos viver num país tropical... lol ;)

Quarta-feira, Outubro 13, 2004


Ontem descobri que amanhã estreia um filme! 'Before Sunset'...
Há muitos anos vi um filme que me marcou para sempre. Jesse um rapaz americano, que fazia um inter rail pela Europa, vai no comboio em direcção a Viena para apanhar o avião do dia seguinte, de manhã, para os EUA. Celine, uma jovem francesa, está nesse mesmo comboio em direcção a Paris depois de ter ido visitar a sua avô. Descobrem-se um ao outro no comboio por entre a discussão de um casal, e num momento de provável loucura momentânea de Jesse, este convida Celine para descer do comboio com ele em Viena... e aí passar com ele a sua última noite na Europa. O filme passa-se, então, nesta noite... desde o momento em que os destinos dos dois se cruzam, até ao momento da inevitável separação ao amanhecer. O título do filme: 'Before Sunrise'. No final do filme, ainda "embriagados" com a magia da noite que passaram e das conversas que tiveram, combinam não trocar contactos mas encontrarem-se dois anos mais tarde. Vi o filme nem sei quantas vezes, afeiçoei-me àqueles personagens, imaginei vezes sem conta se eles ter-se-iam ou não encontrado mesmo... e agora eles voltam-se a encontrar... nove anos mais tarde... desta vez em Paris.

Terça-feira, Outubro 12, 2004

O mito do eterno retorno...

Vivemos na eterna ilusão de que a nossa vida se trata de uma espécie de ensaio geral em que podemos aprender para um dia mais tarde voltarmos atrás para fazer tudo de novo... desta vez como queremos. Um pouco no tom do mito do eterno retorno de Nietzsche, em que supostamente um dia, tudo o que se viveu se há-de repetir outra vez e que essa repetição se há-de repetir uma e outra vez, até ao infinito. Poderíamos assim aperfeiçoar sucessivamente a nossa vida, mesmo que inconscientemente. Muitas vezes pensamos assim sem nos apercebermos, e isto retira o peso da responsabilidade de que afinal esta vida é só uma... uma peça de teatro para qual não existe nenhum ensaio geral... apenas uma única actuação em que nós somos o actor principal que se esqueceu de estudar o guião.

Domingo, Outubro 10, 2004

Memória do Avante...


O Sol e a Lua
Combinaram um dia um encontro
Porque se dizia
Completavam-se um ao outro
O Sol, teimoso como sempre
Nasceu no Ocidente
Desposto a conquistar
Pensado que em qualquer rua
Estaria a lua para o abraçar
Mas a Lua não apareceu
E no canto do céu
O Sol se encondeu.
Triste, sozinho e distante
Foi cantando esta canção:
Oh Lua!
Não me ligas nenhuma!

(Mercado Negro)

Quinta-feira, Outubro 07, 2004

Devaneio da meia noite...

Porque raio nos apaixonamos?Partindo do princípio que o amor ou paixão à primeira vista existe (não vou discutir isso agora), não podemos dizer que nos apaixonamos porque gostamos imenso da personalidade da outra pessoa, ou da sua filosofia de vida, nem nada que apele a quaisquer capacidades cognitivas... porque simplesmente ainda não conhecemos nada da outra pessoa. Por isso retirando qualquer appeal psicológico... resta-nos o físico. Tendo em conta que todos nós temos um protótipo de parceiro perfeito (exemplo: alto, moreno, cabelo curto, ou o que for) e nem sempre nos apaixonamos por este protótipo... muitas vezes apaixonamo-nos por alguém que talvez antes diríamos que seria impossível desejar... o total oposto do tal ser perfeito. Porque raio nos apaixonamos? Falamos aqui de paixão e não amor. Excluindo a hipótese psicológica e a física... feromonas? Será que estamos condenados a ser "escravos dos nossos narizes"? Escravos da química... pura e dura? De facto existem teorias bem suportadas empiricamente sobre isto... Mas e então no caso de nos apaixonarmos por alguém com quem nunca estivemos pessoalmente... alguém do qual apenas vimos uma foto por exemplo. Não há feromonas envolvidas... não há nada. Se bem que só vi isto acontecer nos filmes. Será que nos apaixonamos então, não pela pessoa em si, mas por um traço específico... um pequenino traço que nos dá a volta à cabeça... o olhar, o sorriso... qualquer coisa que nos faz acordar feliz de manhã porque sabemos que vamos ver essa pessoa nesse dia... nem que seja apenas durante alguns minutos. Que nos faz o coração bater mais forte e as pernas tremer. Que faz a pessoa mais social e extrovertida se transformar no ser mais tímido e inseguro. Talvez seja uma mistura de tudo isto... ou talvez seja algo de tão mágico que esteja completamente fora da nossa compreensão. Seja qual dos casos for e por mais teorias que sejam desenvolvidas sobre isto... o que é certo é que continuaremos a nos apaixonar sem qualquer aviso...

Quinta-feira, Setembro 30, 2004

Não quero adormecer...

Adormecemos... adormecemos para a vida...Queria ir hoje passear no parque e apanhar sol... mas não fui... já mal me lembro da última vez que apanhei chuva no rosto... ou vi o último pôr do sol... ou disse que gostava muito de alguém pela última vez... Vamos adormecendo pela vida... vamo-nos acomodando... vamos caindo na rotina... na rotina com os outros, na rotina dos outros... e mais grave na rotina com nós próprios. Crescemos e tornamo-nos estúpidos... esquecemo-nos de como nos fazia feliz o cheiro a bolos ao acordar de manhã num feriado, esquecemo-nos de como sabia bem saltar nas poças de água com as galochas de borracha quando chovia, esquecemo-nos como nos sentiamos em paz quando rabiscávamos umas folhas em branco e desenhavamos mundos e davamos vida a personagens... esquecemo-nos como as coisas mais simples nos fazem felizes. Crescemos e substituímos esta inocência por ambição... por egoísmo. E para quê? Para nos esquecermos simplesmente do que é ser feliz. Deixamo-nos de preocupar... deixamos para outro dia ver um filme, passear com alguém que gostamos, vermos o nascer do sol sentados na praia a ouvir o mar, viajar áquele país que gostávamos de ir, aprender algo novo... e quando damos por nós o filme nunca foi visto, aquela pessoa já não existe, já não nos lembramos do que é um pôr do sol, nunca fomos a lado nenhum, não aprendemos nada de novo... e somos iguais... e já é tarde demais. E aí percebemos que tudo passou... a vida passou... passou por nós... e não nós por ela.Não... hoje não fui ao parque... mas porque simplesmente não me apeteceu... o último pôr do sol vi-o quando vinha do Norte à pouco tempo... e foi lindo... e tirei-lhe fotografias para me poder relembrar... e a última vez que apanhei chuva, estava a vir para casa... e tinha chapéu de chuva, mas fechei-o porque a chuva sabia bem demais na pele, e não suportava não poder senti-la... e a última vez que disse que gostava muito de alguém foi mesmo há bocado... mas é todos os dias... sempre que me lembro... sempre que posso... e posso sempre! ...Tenho tanto medo de adormecer... de morrer para a vida... adormecer para mim e deixar de existir... porque às vezes sinto-o... e é como espadas que me atravessam... e aí acordo de novo... mas até quando?

Quinta-feira, Setembro 16, 2004

Sanidade ou loucura?

Ontem estava na estação da Baixa-Chiado, entretida como sempre a observar as pessoas que passavam por mim enquanto estava sentada no banco de pedra à espera do metro para o Marquês de Pombal. De repente começo a ouvir uma voz... alguém a cantar. Uma senhora de meia idade, brasileira e raça negra cantava a alto e bom som... para quem a quisesse ouvir e mesmo quem a tentava ignorar, era impossível. Cantava andando de um lado para o outro da estação... andava lentamente e cantava enquanto fitava as pessoas, que lá estavam, nos olhos como se para elas cantasse... uma louca. O metro chegou! Entrámos todos no metro... e no lugar da música repetitiva surgiu um monólogo da tal senhora... em voz bem alta para que todos pudessem ouvir, sempre com um sorriso nos lábios. Entre risos e palavras menos bonitas sobre a sanidade da tal senhora ouviam-se as suas palavras... "Eu não percebo estas pessoas... ninguém é feliz. Todos sempre à pressa para irem trabalhar, sempre à pressa para irem para casa. Ser feliz não é isso! Ser feliz é cantar, e dançar, e comer bem. Esta gente hoje em dia só come é chocolates, bolos, sumos, porcarias é o que é... e depois à noite ainda comem um hamburguer de minhocas lá da América. Deviam era comer milho, feijão e arroz. Esta gente não percebe. Deviam pintar e dançar... e não trabalhar tanto. Esta gente só quer é trabalhar e ter carros e casas grandes... Eu é que sou feliz que canto...".
Quem é a louca aqui? Ela?

Sexta-feira, Setembro 10, 2004

Noite de pessimismo...

Raio de mundo de fantasia que vicias e depois teimas em assombrar-me. Utopias que nunca deixarão de o ser... sonhos que nunca se irão realizar. Nada é como queremos, nada é perfeito, nada o pode ser... não existe tal coisa. Apetecia-me estar contigo agora, envolver-me em tudo o que és... enroscar-me no teu pescoço enquanto mexes no meu cabelo com os dedos e o enrolas, sentir e ouvir o teu coração a bater... a bater forte no peito enquanto ambos ouvimos o silêncio que maravilhosamente nos rodeia... Mas não "existes" não é? Pelo menos não estás aqui...
Talvez já tenha perdido a inocência para o ter de novo... aquele conto de fadas em que o amor eterno existe... mas, no entanto, sinto-me como uma miúda de 14 anos que nunca amou e anseia encontrar o verdadeiro amor... e ao mesmo tempo alguém que já deixou de acreditar nele...
Raio de noites de insónias que só me atormentam...

Quinta-feira, Setembro 02, 2004

O molde partiu-se...


Procura-se sapo
Verdinho e formoso
De contos de fadas

Homens... uns sapinhos quando os conhecemos... e depois de muito esforço lá os pomos na linha e os tornamos em amostras muito toscas de princípes... belos os tempos em que um beijo bastava... agora muito empenho, dedicação e uma grande dose de paciência... já não há homens como antigamente. No tempo da Cinderela é que era.
Sempre podes encostar os lábios ao ecrã... pode ser que se transforme ;)

Terça-feira, Agosto 24, 2004

Mafalda

:)

Sábado, Agosto 21, 2004

Most men...

"Most men lead lives of quiet desperation and go to the grave with the song still in them".

- Henry David Thoreau

Quarta-feira, Agosto 18, 2004

Apenas nos iludimos...

"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas,dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares, a propósito da perda de sua mãe, a escritora e poetisa Sophia de Mello-Breyner.

Terça-feira, Agosto 17, 2004


Agora que finalmente descobri como se postam fotos no blog deixo aqui uma foto de um dos mais lindos pôr do sol que já vi. A foto foi tirada do barco em que ando todos os dias para ir e vir de Lisboa. Em vez das paredes de cinzento do Metro no caminho para casa, de vez em quando sou brindada com paisagens como esta...

Estrela cadente...

Estranha... estranha esta sensação de vazio que me inunda desde que cheguei. Sensação de ter entrado de um nada imenso depois de estar num outro mundo. Começa a desvanecer-se porém. Sou feliz... sei que sou feliz... sinto-o nos poros todos os dias quando me deito na cama vazia que me aconchega... mesmo estando vazia. Estive uns dias fora... noutro mundo, outra dimensão em que os dias correm sempre de modo diferente... e tudo é inesperado. A absorver as pessoas que me rodeiam e a dar-me... a dormir sobre o céu estrelado mais belo que alguma vez vira e contando as estrelas cadentes sem pedir qualquer desejo porque me sentia feliz. Talvez por isso me sinta vazia. Voltei à mesma vida... nada mudou... sei como vai ser o dia de amanhã, e o dia depois desse... isso aborrece-me! Mesmo que não o planeie... tudo está planeado. A cama está vazia... ali à minha espera... mas dava tudo para esta noite dormir de novo sobre aquele céu estrelado e contar os satélites que passam até adormecer.

Terça-feira, Agosto 03, 2004

Desabafo das 2 das manhã

Será que é possível morrer-se de tédio? As minhas férias práticas terminaram no momento em que vim do Algarve... e o dia de hoje foi terrível... não fiz absolutamente nada, apenas andei pelos cantos... a ver tv, a dormir mini sestas a toda a hora, a fingir que arrumava o meu quarto que precisa de ser arrumado depois de uma época de exames de arrancar cabelos. Esta falta de entusiasmo para o que quer que seja assusta-me. Acho que estou num estado vegetativo ou de hibernação depois do desgaste do ano lectivo, talvez a carregar baterias... se calhar preciso mesmo de estar assim durante uns dias para depois "voltar à vida". Ou se calhar preciso é sair deste limbo, por a mochila às costas e partir à aventura para realmente aproveitar as férias... enquanto me decido, fico aqui... a vegetar... pode ser que um dia destes acorde... talvez já amanhã...

Sexta-feira, Julho 30, 2004

Férias, Verão e Fogo... a história repete-se... dejá vu?

Depois de prolongada ausência do blog... semelhante a outras mas com melhores motivos... volto para divagar. O motivo da ausência desta vez foram as férias... as férias não... os maravilhosos, espectaculares, fabulásticos dias que passei no Algarve. Dias passados em Altura, Quarteira e Faro... e com uma visitinha a Sevilha para levar uma "injecção de adrenalina" no parque de diversões da Isla Mágica com a minha afilhada linda que com os seus 9 anitos nunca pensei ser tão corajosa. A primeira diversão que quis andar foi o "El desafio"... uma torre de 50 metros, em que sentados em cadeiras somos elevados e segue-se a queda livre... claro que ela não fazia a menor ideia se aquilo a ia assustar ou não... mas na sua ignorância quis ir... lá fui com ela... quando acabou tremia por todos os lados... até os dentes dela tremiam... mas disse logo "que fixe... vamos andar outra vez"... andámos 3 vezes. Desculpem lá as patétices lamechas...
As férias foram mesmo excelentes... mas também não é disso que quero falar... não percebo como é que depois de tudo o que se passou o ano passado, ninguém tenha aprendido nada... o país está a arder e ardeu, de novo. Vegetação, animais, casas, pessoas, ... tudo. Houve noites em que a lua se manchava de um vermelho mórbido e o ar se enchia do cheiro insuportável e desesperante... não percebo... tento mas não percebo... e a Arrábida, candidata a património da humanidade, que antes se enchia de um verde lindo... fresco... onde tantos passeios fiz... está hoje cinzenta... quase que reduzida a cinzas... porquê? Falta de meios? Falta de coordenação dos bombeiros? Falta de vontade do governo? (certamente). Fogo posto? Por quem? Para quê? Onde andam essas pessoas? Porque é que o fazem? Dizem que todo o ser humano é intrinsecamente mau... às vezes concordo...

Terça-feira, Julho 06, 2004

Sim... estou na sala de computadores...

Aqui estou sem fazer absolutamente nada... apenas a passar tempo porque nada tenho para fazer... ou melhor até tenho, mas simplesmente não me apetece. É estúpido a quantidade de tempo que desperdiçamos a não fazer nada... a fazer zapping na tv, em frente ao computador sem fazer nada de útil ou que nos traga nada de novo... De facto passamos cerca de 1/3 das nossas vidas a dormir... conta fácil de fazer se tivermos em conta que uma pessoa dorme em média cerca de 8 horas por dia e o dia tem 24 horas... juntar a este terço de vida "perdida" ainda nos damos ao luxo de simplesmente gastar tempo sem fazer pura e simplesmente coisa que seja... mas será que não fazer nada é tão humano que não conseguimos sobreviver sem estes tempos e espaços de apatia mental e física? Pensamento estúpido o meu provavelmente, mas estou atrofiada dos neurónios... que isto de não fazer nada cansa...

Segunda-feira, Julho 05, 2004

O sonho acabou...

Quase lhe tocámos.... no sonho... na certeza de uma vitória que não se cumpriu... A bola entrou e destruíu tudo. No final, lágrimas rolaram pelo rosto de todos os que assistiram, e ao olhar para os rostos dos jogadores mais dor sentimos... fomos grandes... somos grandes... devíamos ter ganho... merecíamos depois de tanto suor... tanta dedicação. Mas não conseguimos passar a defesa de 10... todos defendiam... cobardes digo eu... estratégia dizem eles. Desta vez não chorei... de todas as vitórias que tivemos chorei no final, de alegria... desta vez só me caiu uma lágrima quando vi os jogadores no chão a chorar de dor porque o sonho tinha acabado... porque merecíamos mais... eles mereciam mais... Apenas sentia um aperto enorme no peito, de raiva, desespero... não sei... de incredulidade sobretudo, porque acreditei até ao apito final que ainda conseguíamos marcar e ir a prolongamento...
Saí rapidamente do sítio onde estava a ver o jogo... não queria estar mais a olhar para aquela tela e ver os jogadores gregos receberem a taça... não suportava ver os nossos jogadores como estavam... não aguentava as caras de tristeza que estavam à minha volta pois nada podia dizer ou fazer para consolá-las... e eu não me sentia triste... sentia apenas uma raiva enorme de as coisas não terem corrido de outro modo... de tudo não passar de um pesadelo, e acordar na minha cama de novo às duas da tarde a questionar-me se ia ver ou não o jogo a lisboa... agora sim sinto-me triste... os gregos também a mereceriam... mas era tão bom que fosse nossa...
Quando sai do metro na baixa chiado, quase parecia que tínhamos sido nós que tínhamos ganho o europeu... carros buzinavam, grupos de pessoas gritavam na rua com toda a força dos seus pulmões PORTUGAL... tantos carros... tantos... subi um pouco a rua e vi o rossio... cheio de pessoas e carros... sorrisos no rosto, uns mais forçados que outros, uns esborratados por lágrimas, com bandeiras já disformes pintadas no rosto, rostos portugueses, outros não... ganhámos o europeu... podemos não ter ganho a taça... mas sem dúvida ganhámos o europeu... tivemos a melhor organização até agora... chegámos à final, o que nunca tinha acontecido... milhares de portugueses uniram-se... por momentos esqueceu-se a nacionalidade, a cor da pele, a religião, o estatuto económico, tudo... todos gritávamos a uma só voz PORTUGAL... todos fomos um só. Esqueceram-se preconceitos e rivalidades... éramos todos de Portugal e isso bastava... Será assim tão grande utopia pensar neste tipo de união prolongada pelos 365 dias do ano? ... A única diferença é que não precisávamos de andar a erger a toda a hora cachecóis e bandeiras e gritar até ficarmos roucos: "Portugal"... enfim... talvez um dia... todos precisamos dos nossos sonhos... utópicos ou não.

Terça-feira, Junho 22, 2004

Piadinha do dia...

"Ele disse: Porque é que vocês mulheres sempre nos tentam impressionar com o vosso aspecto em vez de com o vosso cérebro?
Ela disse: Porque há mais chances de um homem ser imbecil do que ser cego."

Segunda-feira, Junho 21, 2004

Boa época de exames para todos

E começa mais uma época de exames... mais uma altura para vermos o canal odisseia horas a fio e aprendermos mais umas informações sobre a vida animal na antártida (por exemplo) - fiquei a descobrir que existem uns bichinhos que se chamam vermes do gelo e parecem umas minhoquitas que vivem dentro dos glaciars - , arrumar o escritório que todo o ano está desarrumado mas que agora a sua arrumação está no topo das prioridades, andar de trincha e rolo em punho a ajudar o pai a pintar o corredor mesmo que ele ande sempre atrás de mim a dizer "tá quieta... vai mas é estudar que tens exame quarta", passar uma tarde a digitalizar e enviar apontamentos do ano passado ao afilhado mesmo quando este diz que não é preciso e debate-se a todo o custo contra a invasão de documentos no messenger, escrever parvoíces que não interessam nem ao menino Jesus aqui no blog, ... enfim... é o vale tudo. Se ao menos canalizasse esta força de não fazer nada para algo útil... mas não. Passo os dias em casa, nem o pijama ridículo com koalas dispo, o cabelo anda sempre emaranhado e atado por causa do calor... E sempre é assim... torno-me ermita em época de exames... e nas horas de conversas que passo na net penso: ainda bem que não tenho web cam.

Quarta-feira, Junho 16, 2004

Egoísmo e utopias...

Egoístas... cada vez somos mais egoístas... só queremos saber de nós... só queremos ser felizes... só queremos o melhor dos empregos... só queremos a casa com piscina... só queremos ser amados... só olhamos para o nosso umbigo... Cada vez mais vejo relações e pessoas que só pensam em si... que só pensam em se sentir bem, só querem ser amadas e receber e esquecem-se de dar, só estão numa relação quando tudo está perfeito e quando se sentem bem, e esquecem-se que uma relação também tem momentos maus. Cada vez mais nos esquecemos de dar carinho aos nossos amigos... pois eles parecem só lá estar para nos fazerem sentir bem quando estamos em baixo, pois quando estamos bem... eles são meramente objectos decorativos... cada vez vejo mais egoísmo, ambição... e tenho pena... vejo a evoluirmos para uma sociedade individualista, em que cada um apenas luta por si e tudo coloca acima dos sentimentos... tenho mesmo pena. Um dia falava-se entre amigos da evolução do pensamento na sociedade... falávamos de utopias... de esperança... cada vez vejo esse futuro idílico mais longuínquo... para não dizer inalcansável... mas todo o Homem precisa das suas utopias, não?!

Domingo, Junho 13, 2004

Ontem...

Ontem foi lindo de se ver... as ruas da antiga Lisboa cheias de pessoas alegremente embriagadas... a gritar, saltar, dançar... ingleses a gritarem pelo benfica (verdade)... croatas a gritarem pelo Sokota... franceses... tavam discretos... não os vi...o futebol misturado com a festa bairrista. Houve de tudo... cestos amarelos... tentativas de engate tipo melga... um zézé salvador... muita cerveja... bolos comidos no passeio ao amanhecer... dormidas no porta bagagem... muitas gargalhadas... muitas amizades refortalecidas... Obrigado a todos :D
Já tenho saudades...

Sábado, Junho 12, 2004

Ausência...

Perdoem-me os poucos leitores que tinha... e que entretanto de certeza que perdi. Tenho andado ausente... ausente do blog... mas não só... quase que ausente da vida... não por quaisquer dilemas existenciais... apenas trabalho mesmo... daquele que nem oportunidade para procrastinar nos dá. Enfim... às vezes as responsabilidades não nos deixam viver a vida como queremos... mesmo quando essas mesmas responsabilidades são escolhas nossas. A vida é tão curta... e das piores sensações que podemos ter é de não a estar a viver como queremos... mas também não me queixo.
O Euro está aí... e com ele os "camones"... ah pois é... é só ver as ruas de Lisboa cheias de homens altos e loiros... não é mau! lol FORÇA Portugal.... ainda vamos vencer o Euro! E se isso acontecer sei de uma pessoa que vai andar pelas fontes do Rossio de soutiã e cuequitas... ah pois... hà testemunhas... e tu que sabes quem és tens de cumprir a promessa :) lol

Quinta-feira, Maio 20, 2004

Recomendação...

Um pouco na sequência de um post antigo recomendo um filme muito simples e ao mesmo tempo que nos faz pensar "Life or something like it" com o Edward Burns e a Angelina Jolie. Sobre como as coisas mais simples da vida são aquelas que nos dão mais felicidade... e não o ter a vida supostamente perfeita, dominada pela ambição... ;)

Quarta-feira, Maio 19, 2004

I'm back...

Voltei ao cantinho habitual de procrastinação. Hoje não me apeteceu ir para a faculdade, ou melhor, não me apeteceu passar horas e horas em transportes para ter duas horas de aula, é mais assim... apanhei-me sozinha em casa e preferi ficar aqui sem fazer nada... ficar a ouvir música o mais alto que a aparelhagem aguenta, dançar que nem uma parva em trajes menores frente ao espelho, comer coisas esquisitas sem dar satisfações a ninguém, rir, chorar, gritar, fazer o que me apetece, indagar sobre as minhas teorias pessoais que resultam sempre (quando não resultam nós arranjamos sempre uma explicação qualquer, que a teoria prevê... se não previa passa a prever)... como sabe bem estes bocadinhos de privacidade :) Depois ainda há este tempo lindo... espectacular... maravilhoso que faz qualquer um ficar com um sorriso nos lábios... apenas com pena de não ter carro para ir disparada para a praia e dar uns mergulhos... enfim... não se pode ter tudo. Sempre tenho a bicicleta...

"Foi feitiço"

"Eu gostava de olhar para ti
E dizer-te que és uma luz
Que me acende a noite
me guia de dia e seduz


Eu gostava de ser como tu
Não ter asas e poder voar
ter o céu como fundo
ir ao fim do mundo e voltar


Eu não sei o que me aconteceu
Foi Feitiço!
O que é que me deu?
para gostar tanto assim
de alguém como tu


Eu gostava que olhasses
para mim
E sentisses que sou o teu mar
Mergulhasses sem medo
Um olhar, um segredo
Só para eu te abraçar


O primeiro impulso é sempre mais justo
È mais verdadeiro
E o primeiro susto
Dá voltas e voltas
Na volta redonda de um beijo profundo"

Domingo, Abril 25, 2004

25 de Abril em mim...

Hoje em dia os fins de semana passam através de mim como uma névoa por cima de um lago ao amanhecer. Tanto para fazer e vontade nenhuma para o fazer, tardes de perfeita monotonia e rituais absurdos de procrastinação. O dia está perfeito lá fora... o sol brilha e cheira a verão... cheira a felicidade. Contudo nada me puxa lá para fora... prefiro ficar aqui... fechada... reclusa... como se não merecesse sentir o sol no rosto. Aprisiono-me como nunca antes o fiz... sem perceber sequer porquê... mas faço-o como se induzisse a mim própria um qualquer castigo que continua inconsciente em mim. Preciso de me libertar de tudo, especialmente de mim própria. Preciso de um 25 de Abril em mim...

Segunda-feira, Abril 19, 2004

Pensamento...

É engraçado... por vezes tudo torna-se tão claro, o pensamento torna-se tão límpido que até assusta um pouco... as ilusões caem e tudo torna-se simples... O coração enche-se de um nada imenso que aquece a alma... uma paixão imensa pelos momentos mais simples da vida.

Quinta-feira, Março 25, 2004

"O fim da vida não é a excelência... mas a felicidade"

Li este texto hoje... e decidi colocá-lo aqui... é de João Pereira Coutinho (jornalista).
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.
Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce não numa família mas numa pista de atletismo com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial estará a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência. Mas a felicidade."

Terça-feira, Março 23, 2004

Condenados à eterna liberdade...

“O homem está condenado a ser livre”... e deste modo, condenado a fazer escolhas... e a ser responsável por essas mesmas escolhas. Somos responsáveis pela nossa própria existência... pelo nosso próprio destino. Isto implica que não há quaisquer desculpas... não há desculpas para os erros, para os deslizes, para as más escolhas... não vale a pena colocarmos a culpa das nossas escolhas nos outros, pois a escolha está sempre nas nossas mãos. Por vezes essa escolha pode ser difícil de tomar... pode implicar muitas outras escolhas que nos prejudiquem, ou a outros... mas mesmo assim está sempre nas nossas mãos. É muito fácil escondermo-nos atrás de um Deus que nos diz como agir e como lidar com os problemas... é como ter um manual de instruções que nos guie ao longo da vida... que nos ensina como agir... como viver... que nos perdoa quando erramos... difícil é vivermos sem rede de segurança... viver a acreditar que nada há para além da morte, que o tempo que temos na vida é único... precioso... e se vivermos a acreditar nisto... sentimo-nos livres.... livres.... mas com um peso tremendo sobre os ombros... o peso de saber aproveitar todos os momentos em que estamos vivos, para não, como diz o poema, chegar ao final da vida e ver que não vivi...

Terça-feira, Março 16, 2004

Comentários...

Bem, como se pode notar nestes últimos dois posts estou a evitar as minhas crises de lamechice aguda... e tentar escrever sobre algo mais produtivo... e menos melancólico... estou a ver que este meu cantinho está a começar a ser lido por mais pessoas que pensava e estou a começar a sentir-me despida... como aqueles sonhos que temos em que estamos a correr pela rua nus e toda a gente olha para nós. (risos interiores). Se bem que o meu pesadelo recorrente não seja este... de longe. Bem, como de costume, mudo de opinião como quem muda de camisa... e lá resolvi meter esta coisita dos comentários... vamos lá ver que isto dá... ganhaste!! Já tens os teus comentários... oh tu que sabes bem quem és! Desfruta (ou desfrutem) enquanto eu não voltar a mudar de opinião... :)

Sobre promiscuidade masculina

Infinitos são os estudos que nos dizem que os homens são mais promíscuos que as mulheres, muitas vezes sob o pretexto biológico de que têm de espalhar a sementinha, e por isso sentem a necessidade de ter mais mulheres. Mas de facto, tem-se verificado que cada vez mais os valores culturais se sobrepõem aos biológicos, e pessoalmente acho que as situações tendem a igualar-se entre os homens e as mulheres. Noutro dia estava a falar com um amigo meu que me dizia que todos os homens eram promíscuos... que é algo que está inerente à sua natureza, e que nem valia a pena eu estar-me a iludir do contrário. Que era “normal” um homem cometer infidelidades. Prefiro nem sequer acreditar nesta possibilidade, pois se passar a algum dia a acreditar verdadeiramente nisto... das duas uma... ou nunca mais tenho uma relação monogâmica e séria... ou viro lésbica (pois supostamente e de acordo esse meu amigo as mulheres não funcionam nem pensam como os homens). Percebo perfeitamente que uma pessoa sinta desejo por outras... e queira ceder a estes impulsos... mas de que serve estarmos a magoar, trair e mentir uma pessoa que supostamente amamos? Isto não faz qualquer sentido. A nossa vida é feita de escolhas, e temos de saber faze-las conscientemente e viver com elas... se queremos estar com outras pessoas acho que devemos estar... mas para isso, como é óbvio, não podemos estar numa relação... ou pelo menos numa relação monogâmica. Para além disso quando amamos verdadeiramente alguém a vontade de estar com outras pessoas é quase nula... se começamos a ter desejo por outras pessoas.... bem se calhar nem tudo está bem como pensávamos... enfim... mas isto é apenas a minha opinião... e cada um tem a sua... Como diria Oscar Wilde “o homem consegue resistir a tudo... menos à tentação”... concordo plenamente... mas nem sempre a tentação que aqui se fala é a da carne... e se queremos ser tentados... à muitos modos legítimos de o fazer sem ser pela traição... por isso desculpas que o homem é promíscuo por causa da evolução e da biologia.... não colam...

Segunda-feira, Março 15, 2004

Relações eternas... será que ainda existem?

Depois de prolongada ausência deste local da lamechice do costume... volto sem muito para dizer, mas apetece-me escrever... (ou leia-se... tenho muito para fazer mas não me apetece). Venho aqui falar de relações. Olho para os tempos que não vivi... os tempos dos meus avós e também em certa parte dos meus pais e vejo relações de anos e anos a fio... relações de vida... de companheirismo... de amor eterno... será? Quer queiramos quer não, por amor (ou não) as pessoas casavam-se, e assim permaneciam para o resto de suas vidas... porque aliás o divórcio era visto como algo impensável de acontecer... era uma vergonha. Muitas mulheres permaneciam casadas porque não trabalhavam e precisavam de quem as sustentasse, a si e aos seus filhos, e as protegesse num mundo dominado pelos homens... e o homem de alguém que deles cuidasse, cozinhasse, e outras coisas que por uma espécie de handicap social não sabiam executar... ou simplesmente não queriam. De facto hoje nada disto se verifica, a mulher emancipou-se, o homem (somente alguns infelizmente) tornou-se mais autónomo, e o divórcio tornou-se em algo de banal... comum. De facto podemos afirmar que já não existem motivos sociais para as pessoas estarem juntas, restam os afectivos... o amor! Mas se considerarmos que o amor não é eterno... será que estamos condenados a saltar de relação em relação quando a actual não nos satisfaz?

Quinta-feira, Março 04, 2004

Não digas nada (Fernando Pessoa)

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Sábado, Fevereiro 21, 2004

Pensamento difuso...

Hoje acordei diferente de todos os outros dias... não consigo clarificar os pensamentos no meu cérebro... apenas me vêm à mente frases soltas que escrevi, que pensei e que ouvi. Talvez seja apenas por ter dormido demais, mas a verdade é que acordei triste e com um síndroma de abstinência como antes ainda não tinha sentido... sinto falta da droga... daquela droga que já algumas vezes falei aqui. Não sinto falta de amor ou sequer de uma relação... não é isso nem de perto... sinto saudades, ou falta ou como lhe quiserem chamar, de me apaixonar... de me apaixonar perdida e desesperadamente por alguém, de sentir aquele relâmpago imenso a atingir-me o coração fazendo-o bater mais forte e a despertar em mim um turbilhão de emoções que nem consiga explicar... preciso de sentir isso, mas não o sinto... preciso mas também não sei se o quero... a paixão que sinto neste momento é pela vida, pelos momentos, pelos pequenos nadas... mas às vezes parece que isso não chega...

Sábado, Fevereiro 07, 2004

It's a cornball thing...

"I know it's a cornball thing but love is passion, obsession, someone you can't live without. If you don't start with that, what are you going to end up with? I say fall head over heels. Find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back. And how do you find him? Forget your head and listen to your heart. I'm not hearing any heart. Run the risk, if you get hurt, you'll come back. Because, the truth is there is no sense living your life without this. To make the journey and not fall deeply in love... well, you haven't lived a life at all. You have to try. Because if you haven't tried, you haven't lived."

(In "Meet Joe Black")

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004

...

"I dig my toes into the sand.
The ocean looks like a thousand diamonds strewn across a blue blanket
I lean against the wind, pretend that i am weightless and in this moment i am happy".

"The world's a roller coaster and I am not strapped in
Maybe I should hold with care, but my hands are busy in the air".

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004

Grito

Gostava de escrever algo sensato... algo que me fizesse sentido neste momento... mas neste momento apenas uma frase se repete vezes sem conta a um ritmo frenético no meu cérebro que mais nada me deixa fazer... que não me deixa concentrar seja no que for por mais de 5 minutos... “I went to the woods cause I wanted to live deliberately”… Estou num clareira de um bosque, olho à minha volta e apenas vejo árvores, mas oiço um pequeno riacho ao longe... estou de braços abertos girando sobre mim própria... e estou a gritar... um grito tão forte quanto a minha voz me deixa... um grito de dor mas também de alegria, as lágrimas correm-me pelo rosto mas tenho um sorriso contagiante nos lábios. Escolhi estar aqui... e sinto-me livre...

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

Pensamento

Às vezes ponho-me a pensar em quão patética é a minha existência... Passamos uma vida a tentar fazer algo de importante que faça com que os outros se lembrem de nós para a posteridade... “plantar uma árvore, escrever um livro, e ter um filho”... de facto já plantei uma árvore, já comecei a escrever um livro, e quanto à parte do filho, ainda tenho tempo. Mas o que é certo é que a árvore morreu e o livro não passou das primeiras duas páginas... Quando era pequena acreditava, tal como todas as crianças, que podia mudar o mundo... já perdi essa ilusão como tantas outras... e por vezes nem a mim própria consigo mudar... muito menos o mundo. E depois de dias negros como o de hoje apercebo-me da fragilidade da minha própria existência. Hoje posso estar a sorrir, feliz, a recordar o passado e a fazer planos para o futuro... e amanhã posso simplesmente não estar. E é nestes momentos que percebo que o importante é o aqui e o agora... que o importante são os pequeninos momentos que nos tornam felizes, seja um por do sol ao lado da pessoa que amamos, o cheiro a terra depois de uma chuvada, ver as flores a desabrocharem na primavera... e todos os pequenos momentos que passamos com as pessoas que amamos, e é nessas pessoas que deixamos a nossa marca... mesmo que pequenina...

Insignificâncias

Parece que há alturas em que tudo corre mal...em que parece que nunca dormimos o suficiente, o trabalho não pára de surgir, quem queremos que nos dê atenção nem nos liga, e até mesmo os amigos que normalmente nos deixam bem-dispostos parecem chatos e enfadonhos... Não sei o que quero... mas também não sei o que não quero... não me apetece fazer nada... apetece-me hibernar por umas semanas e voltar e ver tudo diferente... melhor. Estou a precisar de estar sozinha... e quando mais preciso disto é quando mais me sinto inundada por todos os que me rodeiam. Preciso de me apaixonar de novo pela vida... preciso de me encontrar pois sinto-me perdida.

Domingo, Janeiro 04, 2004

Quem morre?

"(...) Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos (...)"
"Quem morre?" Pablo Neruda

Quarta-feira, Dezembro 31, 2003

Pensamento...

O amor é seguro... vem como as flores vêm com a primavera... dá-nos paz de espírito e enche-nos o coração... E alguns tolos que continuam a acreditar que o amor é eterno buscam-no em cada paixão com que se cruzam... O amor vem... mas a paixão com o tempo vai embora. Paixão... essa droga que me corrompe o corpo... que me exorciza a alma... que me vicia a cada palpitar do coração, a cada toque, a cada olhar, a cada quase beijo.

Sábado, Dezembro 06, 2003

Depressão sazonal

Já há algum tempo que não escrevia aqui no blog... falta de tempo. É engraçado que quando estamos muito ocupados o tempo passa por nós sem sequer nos apercebermos. Ainda não descobri se isso é bom ou não, mas o que é certo é que nestes últimos tempos me tenho sentido bastante feliz... Estamos no Inverno e eu sinto-me feliz... aqui está algo que diria que é praticamente impossível, pois eu, tal como muitas mais criaturas bizarras semelhantes a mim, sou anualmente atingida por aquele estranho fenómeno (mas para nós bastante vulgar) que é a depressão sazonal. É verdade... no Verão tudo é belo, o sol sorri-nos, a vida corre às mil maravilhas, o calor aquece-nos o coração, as noites estreladas e a bela lua no céu limpo que fazem-nos sonhar... e sonhar... e sonhar. E depois vem o Inverno... as constipações, o nariz que não pára de pingar, os quilos de roupa que nos fazem parecer 10 quilos mais gordos, o frio que regela todo o corpo, andar à chuva em transportes públicos, andar constantemente encharcada... como podem querer que eu me sinta feliz no Inverno? Não estou a dizer que não gosto dele... claro que gosto de estar em casa bem quentinha com um cacau quente na mão e ir para a janela ver a chuva cair, sentar-me ao pé da lareira e ver a lenha queimar, ficar a molengar na cama de manhã enquanto oiço a chuva a cair na rua, ou até mesmo apanhar chuva na cara e no corpo e ficar completamente encharcada mas sabendo que assim que quiser posso ir para casa vestir o meu pijama quentinho, enrolar-me numa manta e sentar-me a ver um filme. Mas o que é certo é que o Inverno deprime-me... fico triste, chateada, irritada com tudo e com todos... Mas este ano vai ser diferente... este Inverno vou ser feliz. (Eu digo isto todos os anos... mas para mais pormenores consultar o blog lá para Abril que pode ser que eu tenha descoberto a cura mágica deste tipo de depressão... duvido)

Sábado, Novembro 29, 2003

Pôr do sol

Ás vezes gosto de andar por aí de máquina fotográfica em punho a tirar fotos a tudo e todos... esta é uma delas. Tirei-a num passeio que fiz a Setúbal no final deste Verão. A qualidade não é das melhores visto que ainda não aderi à moda das máquinas digitais... mas foi o que se pôde arranjar. Aproveito assim a deixa para deixar aqui um grande obrigado ao Goodnight pela ajuda que me tem dado no blog.

Terça-feira, Novembro 18, 2003

"A verdade é como um cobertor..."

“A verdade é como um cobertor que deixa sempre os pés frios. Puxa-se, estica-se, mas nunca chega. Nunca chegará para nos cobrir. E, desde que nascemos, chorando, até que partimos, morrendo, apenas cobrirá o rosto quando se geme, chora e grita!”
(Excerto retirado do filme “O Clube dos Poetas Mortos”)

Viver e não simplesmente sobreviver...

Viver de olhos no chão. Não olhar o mundo à nossa volta... não reflectir sobre nós próprios... pois podemos chegar à conclusão que não somos felizes. Sim... porque a felicidade não passa de uma mera ilusão e não um estado que se atinge e no qual permanecemos... a felicidade são pequenos momentos... são todos os pequenos fragmentos de cada dia que nos fazem sorrir... que nos fazem sentir gratos por estarmos vivos. E se a felicidade é isto, há que saborear cada pequeno momento ao seu máximo... aproveitá-lo como se este fosse o último da nossa vida. Apreciar cada nascer do sol, cada amigo que se faz, cada flor que se cheira, cada luar, as estrelas que no céu brilham como se fossem eternas, o cair das folhas no Outono, o florir das flores na Primavera, cada conversa, cada paixão, cada partilha, cada sonho, cada viagem, ... é apreciar cada momento por mais insignificante e simples que pareça... mas que são esses pequenos momentos que dão sentido à nossa vida. É estarmo-nos a borrifar para o carro, a casa com piscina, as roupas de marca, o plasma, o leitor dvd, e outras engenhocas semelhantes... Para quê tudo isto? Para que interessa tudo isto se não somos felizes? Se não temos ninguém a quem chamar amigo? Se não sabemos valorizar cada momento apenas pelo que ele é, e não pelo que ele pode nos dar? E é lutar por tudo aquilo que desejamos... por cada sonho que temos... para que este não fique perdido no tempo... esquecido... é agir e não somente reagir... e acima de tudo viver e não simplesmente sobreviver...

Sábado, Novembro 15, 2003

Amor...

Estava a tentar escrever sobre um qualquer assunto para colocar aqui no blog... mas sempre que começava a escrever, algumas palavras teimavam em repetir-se vezes sem conta na minha cabeça: "Em tempos de sofrimento e dor abraçar-te-ei, e tomarei o teu sofrimento e fá-lo-ei meu. Quando choras, eu choro, e quando sofres, eu sofro. E juntos tentaremos conter as marés de lágrimas e desespero e conseguir passar os buracos negros das ruas da vida"...
(texto retirado de "O diário da nossa paixão" de Nicholas Sparks)

Domingo, Novembro 09, 2003

"Carpe Diem"

"I went to he woods because I wanted to live deliberately,
I wanted to live deep and suck out all the marrow of life.
To put to rout all that was not life,
And not when I had come to die,
Discover that I had not lived"

(by Henry David Thoreau)

É difícil ter raiva havendo tanta beleza no mundo...

Hoje acordei cedo, como há muito não fazia num domingo, levantei-me e fui abrir a janela. Eram 9 horas e o sol estava a brilhar. Olhei para a varanda do meu escritório que é mesmo ao lado da janela do meu quarto e lá estava um pardal... radiante... ao saltinhos piando suavemente como se me quisesse despertar. Espreguicei-me olhando para ele e sorri. Voltei para a cama e liguei o telemóvel que sempre desligo antes de me deitar... recebo uma mensagem... uma amiga especial “Olá linda... era só para te desejar um bom dia e mandar-te uma beijoca. Vamos ao cinema hoje à tarde?”. Que bem que sabe receber uma palavra amiga logo de manhã pensei. Fiquei ainda um pouco na ronha na cama... De repente, dou um salto da cama, e apressadamente visto o fato de treino e calço os ténis deformados de tantos anos de uso. Estou com uma vontade enorme de correr... de correr até ficar sem mais forças. Tenho vontade de ir ver o rio, o céu, o sol, as árvores, sentir a relva debaixo dos meus pés... Saio de casa com as chaves numa mão e metade de um pão com manteiga na outra, impingido à pressa pela minha mãe para não ir em jejum. Como o pão em um minuto se tanto e começo a correr. Depois de alguns minutos chego ao parque... ao tão belo parque que tantas recordações me evoca... brincadeiras, amores encontrados, amores perdidos, promessas feitas, sonhos pensados a olhar o rio... o rio... corro durante alguns minutos, tão rápido quanto consigo, até não ter mais força nas pernas, e aí paro. Chego mais perto do rio, inspiro fundo e sorrio... sinto uma felicidade estúpida dentro de mim, um felicidade que não consigo explicar, sinto-me feliz apenas por estar viva, por estar ali. Sento-me na relva molhada da chuva que caiu durante a noite e fico a olhar o magnifico Tejo que está à minha frente, não penso em nada... apenas olho à minha volta e reparo em cada pormenor... o dançar das árvores ao som da música do vento, às nuvens que no céu se movem e o começam a encher de um tom cinzento escuro que talvez noutro dia me deixaria preocupada mas hoje parece-me belo... perfeito, a pequena e frágil aranha que me sobe pela perna em pequenos movimentos delicados, a relva que se balança com o vento, as folhas a cair do Outono que já se instalou neste belo quadro onde me encontro, os pequenos barcos dos pescadores a ondularem com o movimento do rio. Tenho um sorriso nos lábios. Começo a sentir algumas gotas de água nas mãos e na cara... deixo-me estar e olho o céu para sentir a chuva na minha cara... como sabe bem ter o corpo quente depois de uma corrida e sentir a chuva em mim. Deixo-me estar ali durante alguns minutos somente a apreciar a chuva... sinto-me apaixonada por tudo o que me rodeia e lembro-me de algumas palavras... palavras que neste momento me parecem perfeitas: "É difícil ter raiva havendo tanta beleza no mundo. Ás vezes parece-me vê-la toda ao mesmo tempo, e é de mais. E o meu coração incha como um balão prestes a rebentar. Até que resolvo descontrair-me e parar de tentar agarrá-la. E aí ela passa através de mim como chuva e não consigo sentir nada senão gratidão por cada um dos momentos da minha estúpida vidinha. É claro que não fazem ideia do que estou a falar. Mas não se preocupem. Um dia, saberão. (In American Beauty)

Terça-feira, Novembro 04, 2003

"Who knows? Lightning could strikes..."

… Paixão?…. Desejo?…. Amor?... Que é afinal esse relâmpago de que tanto falam? É sentir um aperto fundo no coração que sobe lentamente até à garganta apertando-a suavemente mas cada vez mais forte deixando-me numa sensação de completo êxtase apenas porque entraste na sala onde eu estava? É sentir o coração a bater cada vez mais depressa e a respiração a ficar cada vez mais profunda e acelerada sempre que te olho nos olhos nem que seja só por um único segundo? É sentir um tremor por todo o corpo sempre que te aproximas de mim e que juntamente com os nervos que me traem impede-me de dizer mais do que uma frase completa? É adormecer com um sorriso no rosto e sentir que tive o dia mais feliz da minha vida só porque estive contigo nesse dia e estivemos a falar horas a fio em como se o mundo tivesse parado à nossa volta? E acordar de manhã com o mesmo aperto forte no coração e a linda sensação de ter borboletas a esvoaçar no meu estômago e ficar na cama durante alguns minutos que depressa se transformam em horas a pensar no modo como te moves, no cheiro da tua pele, nos teus olhos profundos nos quais me vejo e vejo-te a ti como acredito ninguém mais ver. E voltar a sentir o coração apertado a bater com toda a sua força no meu peito, as borboletas no estômago, a adrenalina nas veias, as pernas a tremer, as mãos a começarem a suar... é sentir tudo isto de novo cada vez que sinto o teu perfume no ar mesmo que num local onde sei que é impossível estares, quando vou na rua e vejo ao longe alguém que por um ou outro motivo me faz lembrar-te... ou simplesmente quando penso em ti... E aí sei que fui atingida por esse tal relâmpago que tanto falam... sei porque olho-te nos olhos e sei que vais ser meu para sempre, mesmo que ainda não o sejas, mesmo que apenas te esteja a ver pela primeira vez e não tenhamos trocado mais de meia dúzia de palavras... e passar a acreditar de repente que existe um destino traçado... pois é quase impossível aceitar racionalmente esta sensação que nos invade o corpo... a sensação de que te conheço à anos, décadas, séculos... de que estivemos sempre juntos mas algo nos separou e esse mesmo destino nos voltou a juntar. E tudo isto, mais do que um relâmpago torna-se numa tempestade... torna-se numa dança maravilhosa entre a chuva, o vento e os relâmpagos que iluminam o céu como eu te sinto a iluminar a minha vida.
Mas tal como os relâmpagos, este estado de embriaguez amorosa também é relativamente breve... pode durar dias, semanas, ou até mesmo anos... mas passa... esta felicidade magnifica esgota-se... esgota-se quando a rotina se apodera de nós, quando nos habituamos à outra pessoa e tomamo-la como garantida, quando realmente acreditamos que vamos ficar juntos para sempre, e simplesmente nos deixamos de esforçar... aí o relâmpagos apagam-se... e a tempestade deixa de ter a sua força, a sua magnitude... e começam as pequenas brigas que de muito raras de repente tornam-se muito mais frequentes que qualquer aperto quente e confortante no peito, e aí sentimos que já não existe qualquer entusiasmo, e todas aquelas sensações que nos enchiam o coração desapareceram... pouco a pouco... sem qualquer explicação lógica... e aí questionamo-nos sobre o que aconteceu àquela sensação de arrebatamento tão grande, tão estupidamente maravilhosa que parecia ser eterna... onde está?... E aí começamos a acreditar que aquela pessoa, que iria ser nossa para sempre, afinal foi uma espécie de erro matemático que não deveria ter acontecido, que afinal aquele relâmpago tão forte nunca nos chegou a atingir. E aí questionamos o amor, questionamos a sua eternidade como acreditávamos ingenuamente existir... e a fabulosa tempestade que tomou conta de nós, acalma e dá lugar a uma enorme incredulidade no amor e na paixão... e em relâmpagos. Mas somos humanos, e nessa mesma condição somos inevitavelmente condenados a amar nem que seja mais uma vez, e a voltar a encontrar algo de novo, algo que nos encha o coração mais uma vez... alguém que de novo nos atinja como um relâmpago e nos faça sentir de novo todas aquelas sensações que são como uma droga que nos corre nas veias e da qual ficamos dependentes... essa droga que nos faz viver a vida com mais brilho, faz com que tudo tenha um sabor muito especial, nos faça ver o mundo com outros olhos... e nos faz acreditar de novo no amor... eterno, puro e doce.

Footfalls echo in the memory...

"Footfalls echo in the memory
Down the passage which we did not take
Towards the door we never opened
Into the rose garden
My words echo
Thus, in your mind"

(Excerto de um poema de T. S. Elliot)

Domingo, Novembro 02, 2003

O primeiro blog oficial...

Esta manhã numa ataque de loucura momentânea é que resolvi fazer este blog. Aqui surge uma questão inevitável... porquê? Por nenhum motivo e por todos ao mesmo tempo. Conheci este "fenómeno" por um colega de faculdade que me apresentou o seu blog, que na altura ainda tinha apenas meia dúzia de posts e começava a dar os seus primeiros passos. Mas foi o suficiente para suscitar em mim a curiosidade de espreitar outros blogs... uns de pessoas que nunca conheci na minha vida, e os de alguns amigos que também aderiram a esta "moda". E finalmente tive o incentivo de um amigo que fez parte de um sonho perdido no tempo, uma paixão antiga... que finalmente me convenceu a ir para a frente com a ideia. Obrigado...